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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Eu e nós ou eu versus nós...


Há alguns dias saiu uma entrevista do psicanalista Contardo Calligaris em um site da internet. Lendoa mais recente acabei relendo uma outra antiga entrevista dele. Calligaris, com uma experiência clínica de mais de 40 anos, compartilha algumas ideias que desenvolveu nesse afazer diário. Ele fala de algumas ideias a partir da sua experiência no consultório.

Algumas me chamaram a atenção.Um dos temas mais referidos na sua clínica, vocês já podem imaginar são as relações amorosas, e uma das formas preferidas pela nossa sociedade dessas relações se darem: o casamento. Crítico ácido dessa instituição, Contardo diz, por exemplo que o tema da individualidade tem sido um dos mais importantes nas falas de seus clientes e também tem aumentado consideravelmente de tempos pra cá.
Essa afirmação lembrou-me também de algumas questões que aparecem no consultório e  de algumas passagens do grupo que fiz em 2011 para o doutorado.
O tema da individualidade, da privacidade individual e de como coordenamos as necessidades do eu com o nós tem sido um dos temas mais frequentes nos casamentos e também nas separações. Algumas separações, especialmente entre os mais jovens, vão se dar por uma descontinuidade de projetos comuns ou por uma incompatibilidade de projetos individuais. Sonhos como estudar fora, conhecer outras culturas, experimentar o mundo, são cada vez mais comuns e não adiados ou relegados ao pacote das oportunidades que chegaram tarde na vida. A ascensão profissional ou a realização pessoal convivem ou tentam, pelo menos, com a vontade de estar casado ou ter uma família, ou mesmo uma relação mais estável com um/a parceiro/a. Algumas vezes, isso afeta o projeto a dois ou mesmo, inviabiliza a relação.
Mas nas pessoas mais velhas também os projetos pessoais e a realização contam cada vez mais. A faixa etária onde mais crescem as separações e  em que as taxas de casamento também vem crescendo é entre os 50-60 anos. Nessa faixa onde o casamento já deu sinal de desgaste, os filhos estão longe fisicamente e como projeto de vida do casal, outros ideais se impõem e reavivar a possibilidade de viver relações amorosas tanto dentro como fora do formato casamento, tornam-se muito atraentes. Afinal, metade da vida se foi e, não dá pra ficar vivendo uma situação morna e burocrática.
Por essas e outras,  a equação eu/nós, muitas vezes é vivida como eu x nós.
Um desafio contemporâneo que nos leva a pensar e criar novas formas de nos relacionarmos a partir do amor, novas formas de criar filhos, mas também novas formas de estar no mundo que consigam redefinir individualidade e conexão de formas menos antagônicas.
Abaixo deixo os links das entrevistas de Contardo Calligaris para que vocês possam ler.






terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Uma querida amiga, a Cintia, me enviou esse texto, dizendo que achava que tinha a ver com o blog. Quem sabe, dizia ela, eu gostaria de publicar. Várias coisas me passaram pela cabeça de uma vez. Aí vão elas, não necessariamente em ordem de nascença:
1) Que máximo! Alguém oferece um texto para publicar no blog!
2) Ué... Mas a minha amiga Cintia é casada há milênios, porque cargas d'água resolveu escrever um texto sobre separação?
3)Nem sabia que ela gostava de escrever... E se eu não gostar? Como vou fazer?

Com essas questões na cabeça, um tempo depois, me pus a ler o texto. Ele, realmente, é sobre casamento. Não, não é sobre casamento. Ele é escrito por e sobre alguém que é casada. Que não se separou e não tem a experiência de um divórcio na vida. Mas, realmente ele tem tudo a ver com o blog. Como assim? Em primeiro lugar, é um texto delicado, sincero e singelo. Em segundo lugar, ele parece totalmente encaixado no post anterior que escrevi sobre o ano novo.
Então, agora chega de comentários meus e deixo vocês com o texto de Cintia Lopes Rangel e fico com a curiosidade sobre o que ele evoca em vocês.

Arrumar armário é como se “arrumar” por dentro.

Outro dia, conversando com uma amiga, ela contava que estava separando do terceiro marido e uma das coisas que falei para ela, foi que quando não cabemos mais em alguma roupa temos que tomar alguma atitude e dentre elas podemos: Guardar de recordação, para revê-la de vez enquanto; dar para alguém para não ver mais; dar para alguém que caiba e que seja próximo, para vermos quando for usada; jogar no lixo, pois às vezes já está tão gasta e surrada que só serve mesmo para pano de chão; dar uma reformada para mudar alguma coisa, isso se realmente você gostar dela; ou até ficar usando mesmo pequena.
Sabe macacãozinho de bebê, aquele que cobre o pezinho tamanho recém-nascido, que fica pequeno e as perninhas chegam a ficar encolhidas? Então! Você, pode até continuar usando, mas deve ser muito desconfortável.
Assim, também são os nossos relacionamentos. Quando digo relacionamento, não me refiro somente entre pessoas, penso também em coisas.
Como está seu armário? Bem, como só posso falar do que conheço, vamos ao meu. É um armário alto até o teto, de porta de correr, uma das portas é espelho e a outra é branca. Dentro dele tem de tudo: camisas, calças, saias, biquines, meias, cintos, bermudas, vestidos, joias, calcinhas, casacos, lenços e mais um monte de coisas que você nem imagina.
Hoje particularmente resolvi me desapegar de algumas coisas. Costumo dizer que arrumar armário é como se “arrumar por dentro”.
Tirando as roupas que não me cabiam mais, fiz varias pilhas, aquela que darei para alguém, aquelas para reforma e aquelas que estão pequenas, mas que ainda não quero dar. No meio da bagunça encontrei penduradinho, esquecido lá no canto esquerdo, o meu vestido de casamento. Fui eu que fiz, ele é simples, cinza clarinho, tomara que caia, curto e cheio de pedrinhas tipo cristal coladas. Perto do busto tem mais pedrinhas e à medida que vai descendo diminuem a quantidade.
Pequei nas mãos e fiquei olhando... é, não cabe mais em mim! Os anos passaram e ele ficou pequeno. Pensei em fazer uma reforma, mudar alguma coisa ou até fazer uma saia. Enquanto pensava no que fazer, minha imaginação foi para o meu casamento e fique ali sentada de frente para o armário refletindo nas mudanças. Nos encontros, desencontros e reencontros que tive com o meu marido. Quantas vezes separei e voltei com ele, mentalmente, mesmo sem nunca termos nos separarmos de fato.
Perdi as contas de quantas vezes tive vontade de pegar a roupa que ficou pequena e jogar no lixo. Digo para você que hoje, depois dos filhos já crescidos, e de uma vida de muitas mudanças, em todos os sentidos, só de domicilio foram 10 vezes, esse vestido precisou ser reformado muitas e muitas vezes. Precisei me desapegar do modelo inicial para que ele viesse a caber em mim.
Acho que hoje ele já não é mais cinza e nem tomara que caia. Muitas das pedrinhas brilhantes se descolaram. Se você foi ao meu casamento, é muito provável que não reconheça mais nada daquele vestido, se vir fotos ou ouvir histórias pode ser que sim, porém é preciso um olhar bem aguçado, caridoso e muito sensível para reconhecê-lo. Digo para vocês que valeu a pena as reformas que fiz. Hoje ele está mais leve, mais fluido e mais gostoso de usar...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Começou o ano e com ele, embora seja apenas uma convenção de calendário, nossas esperanças se renovam. Acho interessante, como podemos conjuntamente criar essa energia, a da decisão sobre nosso futuro. Claro, que com o tempo aprendemos que não adianta só desejar, ficar esperando que as coisas aconteçam. Mas, ao desejar, podemos também delimitar focos, imaginar cursos de ação. Investigar nossas possibilidades, obstáculos no caminho. Claro, também aprendemos que não adianta o melhor planejamento, algo sempre vai ser diferente, para o bem e para o mal.
Nesses dias pensamos: esse ano eu vou... me casar, me separar, viajar, ter mais tempo pra mim, ganhar mais dinheiro, dar mais atenção aos meus filhos, etc. etc. e tal.
Todos os anos são cheios de coisas boas e ruins. Alguns tendem mais para um lado do que para outro, mas a maioria, ao final, são anos em que a vida foi exatamente como ela é, cheia de boas notícias, de notícias não tão boas. Com dilemas e desafios, com pequenos milagres e pequenas decisões que fizeram grandes diferenças ou, ao contrário, grandes decisões que fizeram pequenas diferenças.
As separações, costumam fazer grandes diferenças. Mas, também são como a vida, tem muitas coisas difíceis para lidar, montes de aprendizagens à frente, muitas descobertas e novidades, ora agradáveis ora desagradáveis. Muitas pequenas e grandes decisões. Muitos desafios, alguns excitantes outros apavorantes! Mas, como a vida, as separações encontram um lugar em nossa história, ou melhor, cabe a nós encontrarmos um lugar para elas em nossa história.
Pensei hoje nas pessoas para as quais esse ano vai ser o primeiro de uma vida pós-separação, nas outras que estão maturando essa decisão há tempos e ela vai se concretizar esse ano. Em outras ainda, para as quais as separações serão um susto no ano que se inicia.
Para todas eu desejo um ano em que possam ficar tristes por um tempo, se isso for necessário. Se alegrar pelo mesmo tempo, pelo menos, porque isso é muito necessário. Desejo também que não percam de vista que nossas dores nos ensinam e que vêm e vão. Se pudermos pensar na maioria das coisas que nos faziam sofrer há 10 anos atrás, veremos que, possivelmente, a maioria não está mais presente em nós como dor, talvez, apenas como lembrança. Não importa quão agudas foram.
Desejo também que tenham coragem e esperança para trilhar seus caminhos e que nunca percam de vista que boa parte do caminho é feita por nós, portanto, podemos cuidar de nossas escolhas ao trilhá-lo. Cada escolha vai abrir novos caminhos e fechar outros. Nunca poderemos saber exatamente quais se abrem, quais se fecham, mas podemos ter alguns vislumbres. Uma vez um terapeuta, grande mestre para mim, disse: se você sabe o que não fazer, já é um grande passo. Sempre penso nisso. Se, pelo menos, eu sei claramente o que não quero, já ajuda muito. Então, desejo clareza uma boa parte do tempo, mas não todo, porque {as vezes na neblina, em uma certa confusão conseguimos inovar.
Desejo  movimento, porque acredito que movimento é vida e vice-versa e que, se tentamos não nos mover, nos seguramos a ideias, vidas, pessoas, adoecemos. Como dizem os budistas, o desapego é fundamental. Como eu digo, se por milênios tradições diversas vem investindo em maneiras de praticar o desapego é porque é difícil demais! Mas, desejo que todos possamos ao menos lembrar que é difícil e tentar alcançar um pouco mais no caminho.
Enfim, ao fim e ao cabo, desejo que todos possamos simplesmente viver um bom ano e que ao final dele possamos dizer que valeu, que aprendemos e que estamos inteiros, e prontos para continuar!
Tim tim!



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Dialogando com filhos
Diálogo 1

"Minha mãe diz que nós viemos aqui para nos sentirmos melhor. Meu pai diz que viemos aqui por que temos que vir".
"Por que você não fala sobre isso com sua mãe?"
"Se eu conto para minha mãe, ela liga para o meu pai e eles brigam.Eu não quero que eles briguem. Não quero que seja minha culpa."
"O que seria sua culpa?"
"Eles se divorciarem.Tudo o que eu faço só piora a situação"

Diálogo 2
"De novo, não sei o que fazer, meu aniversário tá chegando e é sempre a mesma história!"
"Qual história?"
"Eu tenho que fazer dois, na verdade, três aniversários, se quiser que todo mundo fique bem. Um pra minha mãe ir. Outro para meu pai e a mulher dele. E outro pra mim, (risos) com meus amigos".
"Por que tantos??"
"Porque um não quer estar onde está o outro. E ficam chateados se não faço um pra cada um."
"E o seu?"
"Ah, esse é pra eu me divertir!!!!"
"Quantos anos vc vai fazer?"
"28"
"Mesmo? E quantos anos você tinha quando seus pais se separaram?"
"4".

Poderia contar pra vocês mais algumas dezenas de diálogos como esses que tenho presenciado no meu consultório durante meus anos de prática. Não farei isso. Convido aos leitores a lembrar todos os que já presenciaram e viveram. Convido também à reflexão sobre as situações de divórcio que perduram. Segundo alguns, as pessoas mantém assim, um vínculo. Nunca se separam de verdade, porque nunca esquecem, ou se permitem esquecer por alguns instantes que algum dia passaram por isso e sofreram muito.
Continuamos conversando sobre isso. É um assunto complexo, com muitas formas de olhar. Há todas as histórias dos pais e mães envolvidas, às vezes extremamente sofridas. Mas, sempre me pergunto: como podemos melhorar nossas formas de nos separar? Será que é transformando nossas formas de amar?

quarta-feira, 28 de agosto de 2013


E SE FIZERMOS TUDO DIFERENTE?
Fiquei com esta pergunta ao ler a Cartilha do Divórcio para pais lançada neste mês pelo Conselho Nacional de Justiça.  Na mensagem inicial que abre a primeira edição da cartilha é ressaltado o grande esforço que os casais precisam fazer para deixarem de lado as desavenças entre eles e, comportarem-se de forma colaborativa nas questões que envolvem os cuidados com os filhos. A cartilha se propõe a informar e oferecer alternativas aos comportamentos de pais que falam mal um do outro; que usam os filhos como mensageiros ou espiões; que discutem na frente dos filhos; que dificultam o contato dos filhos com a mãe ou com o pai. Enfim, uma série de condutas que deixam crianças e adultos mais ansiosos e vulneráveis ao adoecimento físico e mental.

De fato, quando eu li a cartilha, voltei ao passado: lembrei-me de como foi a minha convivência com o pai do meu filho após a nossa separação, há vinte anos. E dei-me conta de que, naquela época, mesmo eu estando abastecida pelos estudos da psicologia infantil, deixei de lado muitas das orientações que constam dos livros de psicologia e da Cartilha do Divórcio. Acredito que isto aconteceu por minha absoluta impossibilidade de compatibilizar razão e emoção naquele momento de dor, raiva e sofrimento.

E veio daí outra pergunta: o que me ajudou a sair desta situação e colocar as informações (a razão) de que dispunha acerca da importância na qualidade da coparentalidade, para o controle de comportamentos que prejudicassem meu filho?

 Além das informações que dispunha, o que me ajudou foram as conversas que pude estabelecer com diversas pessoas dos diferentes grupos aos quais pertencia. As pessoas com quem conversei trouxeram novas perspectivas acerca de minhas crenças; escutando essas pessoas fui estimulada a refletir e a pensar em algo novo e diferente para minhas condutas em relação a construção de uma coparentalidade de qualidade após o divórcio. Por meio dessas conversas eu continuei fazendo diferente das orientações contidas nas “cartilhas” existentes, mas também fui capaz de perceber quando precisava fazer a razão conduzir meus comportamentos. Mas ainda acredito que as orientações contidas em livros, cartilhas, sites e blogs como o SerParaAção são recursos preciosos nos momentos em que a vida nos coloca o desafio da mudança. E você o que faz nesses momentos?
  
 
                     
 A Cartilha do Divórcio do CNJ pode ser acessada pelo site http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/25746:cnj-e-mj-lancam-cartilhas-para-auxiliar-familias-sobre-divorcio.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Olá a todos! Depois de longo tempo de ausência, estamos de volta! O último ano foi
de muitas mudanças. Eu concluindo um doutorado, minha companheira de blog Nadia, mudando de vida e de cidade. Ciclos que se encerram e dão oportunidade a outros. "That's life!". Os budistas nos ensinam sobre a impermanência de vida. Sobre como todas as coisas têm seu tempo e lugar e como devemos aprender a lidar com isso. Mas... É justamente essa uma das nossas (minhas) maiores dificuldades! Deixar ir, deixar vir... Então, espero que a ausência traga bons frutos para nosso blog. Estamos pensando em mudanças, mas principalmente em compartilhar com vocês tudo que andamos aprendendo nesse tempo e começar ou continuar nossa conversa iniciada, e dar lugar a muitas e muitas outras. Ainda estamos nos organizando para essa volta, mas contamos com a presença de vocês para nos levar um pouco mais além! Um grande abraço!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A esperança de tudo se ajeitar

E, começa um novo ano... E, mesmo que isso signifique apenas que todos que seguem um calendário convencionaram que tudo fica para trás e começamos tudo de novo após mais uma noite, o efeito não é de se jogar fora. São milhões, até bilhões de pessoas pensando que "daqui pra frente tudo vai ser diferente", como diz o cantor. Mais do que fogos, mais do que o branco e dourado, mais do que os votos, vale a vontade de estar diferente no novo ano. E, fazer novos os dias do novo ano. Essa é a esperança que podemos a cada virada, de ano, de mês de dia, levar. Separações às vezes parecem becos sem saída. Às vezes parecem finais apenas. Demoramos para ver nelas o início de algo, portas e caminhos. Em 2012, e em todos os nossos dias, desejo aos leitores do nosso blog a esperança e a possibilidade de ver caminhos, sempre...
Um 2012 pleno de esperança a todos!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Continuando....

Continuando no tema das redes, hoje temos uma comemoração de Natal do grupo que acabamos de realizar com pessoas que passaram pelo divórcio em suas famílias. Homens, mulheres e jovens (filhos de pais separados). Essa comemoração, em que a iniciativa, a organização e tudo o mais foi dos participantes do grupo, me dá a certeza de que um dos principais objetivos do grupo foi alcançado. Os grupos são formas das pessoas formarem, ampliarem ou ativarem redes sociais de pertencimento. Ao acabar o grupo, a convivência que tiveram, as conversas, etc. fazem com que todos tenham vontade de continuar conversando. Mas, não necessariamente no grupo. Muito mais interessante é participar desse movimento, espontâneo que continua, amplia o trabalho. Não são todos que estão neste movimento e os que estão não estão igualmente. Daqui a algum tempo, talvez ele cesse. Mas, importante, algumas pessoas permanecerão na vida uns dos outros e algumas são boas lembranças de boas conversas, o que também compõe a nossa rede. São como as luzinhas coloridas de Natal. Trazem algum brilho, luz, para nosso dia a dia.
Boa celebração de final de ano para nós e nosso grupo!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Com quem eu conto

Uma das coisas mais difíceis de lidar na separação é a rearrumação do que chamamos redes sociais. As redes sociais são aquelas relações que fazem parte de nossa vida de formas muito diferentes a cada momento, mas quando não estão, mesmo por um momento fazem com que  a gente se sinta menos a gente mesmo. Pode ser um grande amigo, daqueles que você sabe que pode ligar de madrugada e ele vai responder, mas pode também ser o jornaleiro, que sempre dá bom dia, todos os dias quando você sai para o trabalho. As redes sociais são parte do que somos no mundo.
As separações geram mudanças repentinas, às vezes explosivas, nas redes. Pessoas que faziam parte do seu cotidiano, já não estarão lá no dia seguinte, etc. A parte boa é que elas se refazem e conhecemos outras pessoas que passam a fazer parte de nossas vidas.
Uma reflexão útil sobre as redes é pensar com quem eu conto para determinadas coisas na vida. Por exemplo, com quem eu conto para me divertir? E, para me ajudar com as crianças? Para me ouvir quando estou precisando falar? Para me aconselhar com dinheiro? Enfim, essa reflexão permite que vejamos onde nossa rede é mais rica, onde precisamos olhar com mais cuidado. E, principalmente vermos que não estamos sozinhos e, muito provavelmente, fazemos parte da rede de muitas outras pessoas também.
Até breve

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

De novo... Novidades!

Mais uma vez, um tempinho no blog... Mas, foi por um bom motivo... Pelo menos um deles. Estávamos, eu Nadia Moritz e Bia Costamilan, ocupadas fazendo o grupo novo que será tema da minha tese de doutorado. Foram 10 encontros com muito tudo: emoção, conversa, aprendizado. Enfim, entre preparação, realização e etc. acabou-se o tempo (escasso) de escrever por aqui. Agora, espero voltar e ir contando aos poucos a vocês como foram nossos encontros. Por hoje é só, porque todo o inestimável material que foi gerado nesses encontros, me espera... Até a próxima!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Japoneses comemoram divórcio com festa!

Se, no Brasil, ainda estamos estranhando a presença da ex no novo casamento do homem, e vive-versa, no Japão já temos novidades sobre uma questão muito controvertida: os rituais para a separação. Esse é um tema que sempre promove questionamentos e debates. Afinal, como seria um ritual para o divórcio? É uma celebração? Se dá parabéns ou pêsames? Como se comportar? Quem vai estar presente? E, antes de tudo isso: faz sentido um ritual para a separação conjugal? Enfim, vou apenas "levantar a bola" inspirada na reportagem do Jornal Hoje do dia 04/07 que retrata uma cerimônia que ritualiza o divórcio. Ela foi criada no Japão e originou inclusive uma nova profissão: o organizador de divórcios. Alguém se habilita?
Também me chamou a atenção a conexão com os terremotos e tsunamis.  Como esses momentos limite levam as pessoas a redimensionar suas vidas e relações. Mas, isso já dá outra conversa.... No momento estou curiosa com o que vocês tem a dizer sobre a ritualização do divórcio. Abaixo o link para o video. 
http://g1.globo.com/videos/jornal-hoje/v/japoneses-comemoram-os-divorcios-com-festa/1554195/

sábado, 2 de julho de 2011

Até a ex apareceu!!!

Com esta frase a repórter da Rede TV se refere ao fato de que no casamento de Marcello Antony sua ex- mulher, a também atriz Monica Torres, foi convidada, aceitou o convite e foi ao evento... A capa da revista Caras desta semana também dá destaque à presença. Minha atenção foi capturada por esse destaque da revista e resolvi pesquisar na rede e percebi que a presença da ex no casamento parece ter sido surpreendente ou motivo de destaque em todas as reportagens. Dando também destaque ao fato de que a ex, Monica, compareceu ao casamento com seu atual marido. Ela também se casou... Os filhos de todos (da noiva e do noivo) estavam presentes.
Fiquei tocada por todo esse alvoroço em torno da presença da ex no casamento. Para além da possível falta de assuntos mais impactantes no terreno das celebridades, me fez pensar que ainda temos a expectativa de que ex-maridos e ex-mulheres não conseguirão ser amigos, parceiros, ou mesmo ter uma relação de carinho e confiança. Claro que, ao destacar tal fato, a revista até pode ajudar, chamando atenção para a possibilidade. Quem sabe, os fãs vão querer, a partir de agora, imitar o comportamento dos ídolos e ter relações menos adversariais com seus ex.
Para os filhos dos atores deve ter sido bom poder estar com os pais, não ter que viver uma tensão por um ou dois casamentos. Bom, isso estou eu imaginando, desejando, que o que aparece nas notícias seja verdade. Todas as notícias à época da separação de Marcello e Monica atestam por seus depoimentos que mantiveram a separação em segredo para preservar os filhos e que continuam morando no mesmo condomínio para facilitar o acesso das crianças aos dois. Louvável.
Porém, o assunto aqui não se refere exatamente aos casais desfeitos ou novos, mas ao senso comum e ao papel da mídia em relação às situações de separação e divórcio. O destaque dado à presença de ex no casamento denota a surpresa, o inusitado da situação. Não é esperado por nós que o pai e mãe dos filhos possam conviver e partilhar situações tão importantes para os próprios filhos como os novos casamentos dos pais e mães... Eu bem sei que isso realmente não acontece em muitos casos e que os novos casamentos costumam, muitas vezes,  remexer em feridas antigas. Mas, mesmo assim, ingênuamente ou não, acho que poderia ser mais corriqueiro que fosse assim como foi com os atores...

domingo, 26 de junho de 2011

novidades no blog

Caros leitores,

Agora você tem no blog um local, à direita das postagens com uma lista de filmes e livros interessantes sobre os temas do blog. Se você conhece algum filme, livro, peça de teatro, blog, site, ou qualquer outro meio que possa promover reflexões ou trazer informações para nós, não  se acanhe!
Envie para nós e acrescentaremos à lista.
Nossa lista está em permanente construção. 
                                                      Boa semana para todos!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Mitos sobre divórcio - parte 1

Há algum tempo venho pensando sobre algumas coisas que, como em muitas narrativas, se naturalizam, tornam-se quase invisíveis e, por isso, não paramos para pensar nelas. Nesse momento, é a isso que chamo mitos. Não aquele mito filosófico, histórico, mas algo que vai se tornando uma narrativa repetida e que muitas vezes repetimos sem nos darmos conta do impacto e da dimensão que tem o que estamos falando. Muitas vezes ouvi no consultório, de pessoas amigas, em filmes, etc. estórias sobre aquele difícil momento em que se conta sobre a separação para os filhos. Não importa a idade, sempre é um momento doloroso para todos. Como pais, todos queremos proteger nossos filhos do sofrimento, poupá-los dos efeitos de decisões que os afetam tão diretamente, mas sobre as quais não tem nenhuma ingerência. Talvez por isso, seja lugar comum dizer aos filhos algo como: "Papai e mamãe não vão mais morar juntos, não estaremos mais casados, mas não se preocupem, continuaremos amando vocês como sempre. Nada vai mudar, vocês estarão sempre com o papai e com a mamãe. Terão um quarto em cada casa e, etc.etc.etc."
Nossa angústia, sofrimento, e nosso amor pelos filhos, transforma a perspectiva do divórcio em uma fantasia de que a única coisa que vai acontecer é uma mudança de casa. A frase "nada vai mudar" fica martelando na minha cabeça. Como assim nada vai mudar? Como assim, as coisas serão iguais. Para o filho, tudo vai mudar! Claro, sabemos que aqueles pais continuarão amando seus filhos como sempre. Continuarão desejando todas as boas coisas para eles, principalmente que eles não sofram. Isso é o que não vai mudar. Mas, muitas outras coisas vão mudar. Mesmo nos divórcios mais tranquilos, menos conflituosos e que realmente trazem benefícios a médio prazo para as famílias, a curto prazo todos tem que lidar com mudanças. E, mudanças são difíceis, mesmo quando são boas. Quem já não mudou de casa para uma casa melhor, maior, mais bonita que sempre sonhou? E, quem, mesmo nessa mudança tão desejada já não ficou nervoso, estressado, sem rumo, tropeçando em caixas e sentindo-se desorganizado porque não lembra onde colocou os livros de trabalho, o material da escola, a roupa para sair no dia seguinte?
Em uma separação, estaremos mudando isso e muito mais. Cada um pode pensar no seu divórcio e avaliar quantas coisas mudaram desde aquele dia. Aliás, sem o divórcio também, a vida só faz mudar. Mas, uma decisão dessa monta, traz alguns processos que tornam tudo instável de uma maneira mais aguda.
Por que temos tanto medo de conversar assim com nossos filhos? Uma cena marcou-me muito e acho que me ajudou a construir outra perspectiva sobre isso. Quando me separei do pai dos meus filhos, eles eram muito pequenos e eu e ele conversamos, acho eu, a conversa padrão: "Tudo estará aqui, quando você quiser estará com seu pai, etc.etc. etc." A tentativa de garantir que vamos continuar fazendo o possível para que eles não sofram.  Um dos meus filhos anos depois, não sei precisar quantos, me diz em uma conversa sobre a separação que, naquele dia, só lembra de que "só ele sofreu". Na sua narrativa, nem eu nem o pai dele "estávamos muito aí para a separação". Fiquei tão perturbada, mas ao mesmo tempo curiosa com tal afirmação. Tão distante da minha experiência e da do pai dele também. Continuei a conversa, tentando entender como ele havia construído tal ideia. E, chegamos ao cenário em que ele lembrava que ninguém além dele havia chorado. Apenas ele. Portanto, para ele, só ele havia sofrido. Essa conversa me fez pensar durante muito tempo. Não me lembro de  ter chorado ou não, mas lembro da dor ao falar com eles. E, talvez, tenhamos feito mesmo um esforço para não chorar, os adultos, para tornar as coisas mais possíveis para nós e para as crianças. Mas, hoje penso que talvez uma boa conversa sobre separação com os filhos deva incluir a dor. Talvez dizer que vai ser difícil, que muitas coisas vão mudar, para melhor e talvez algumas para pior. Que todos precisarão se esforçar para se adaptar à nova vida e que com certeza tentarão fazer o melhor para que as coisas dêem certo. Talvez, possamos falar que, se estamos fazendo tanto movimento, é porque achamos que vale a pena, mas que em algumas horas vai ser difícil para todos e que eles podem contar com seus pais para estar ao lado deles nos momentos difíceis e nos bons. E que, mesmo as coisas mudando, e eles nem sempre gostando das mudanças, seus pais estarão sempre dispostos a garantir que possam conversar e ser ouvidos. Além, é claro, da garantia do amor , apesar de uma forma diferente de convivência. Talvez uma tentativa de temer menos a dor e incluí-la. Acredito que isso possa nos aproximar de nós mesmos e um dos outros. Podermos expressar nossa vulnerabilidade de uma forma verdadeira possa manter e/ou criar conexões entre pais e filhos, irmãos, etc. Se não tememos, talvez seja por ter a confiança de que temos recursos para lidar com o contínuo fluxo de mudanças da vida.
Enfim, são meus pensamentos sobre o tal mito do "nada vai mudar"...
Bom feriado a todos!

P.S: A foto é do filme A Lula e a Baleia sobre o qual podemos falar em outro post.

sábado, 11 de junho de 2011

Campanha: "Namore uma mãe solteira"

Eu tinha pensado vários assuntos para um post essa semana. Atá anotei alguns. Porém, navegando por alguns blogs encontrei essa campanha em um artigo da revista TPM (link abaixo).

CAMPANHA: NAMORE UMA MÃE SOLTEIRA
Há alguns anos, um grupo de amigas divorciadas e solteiras, todas já mães, comentava, entre uma risada e outra, como os homens são tontos por não enxergar as vantagens de se relacionar com mulheres que já têm filhos.

Como algumas delas eram blogueiras, surgiu a ideia de fazer uma campanha na internet para mostrar aos rapazes alguns bons motivos para fazer essa escolha. Foi assim que surgiu, lá nos idos de 2005, a bem-humorada campanha “Namore uma mãe solteira”, que até hoje circula por aí em blogs e outras redes sociais.

Para quem ainda não conhece, as diretrizes básicas dessa campanha são as seguintes:

1. Mães solteiras não têm pressa de casar, porque já têm filho.

2. Mães solteiras não têm pressa de ter filho, porque já têm filho.

3. Mães solteiras não têm tempo de grudar no seu pé, porque já têm filho.

4. Se você quiser ter um filho, tudo bem, porque a mãe solteira já tem filho.

5. Se você não quiser ter filho, tudo bem também, porque a mãe solteira já tem filho.

Ou seja: mães solteiras são um ótimo partido, como já sabia muito bem o personagem do Hugh Grant em Um Grande Garoto (2002), lembram? Aquele que frequentava reuniões de pais – mesmo sem ter filhos – só pra conhecer mães solteiras.

Já que junho é mês dos namorados, aproveitamos este espaço pra reforçar nosso apoio a essa campanha, que começou com um grupo de amigas muito queridas (aliás, muitas delas hoje não estão mais solteiras – sinal de que a campanha funcionou mesmo). Afinal, namorar é tudo de bom e as mães também gostam!

Com humor as amigas da campanha, querendo ou não, tornam mais evidentes vários pré-conceitos sobre relacionamentos entre homens e mulheres. Mas, vou ficar hoje, véspera do dia dos namorados só com o humor da "campanha" e com as possibilidades autênticas de amor. Outro dia a gente fala mais sobre os assunto.


http://revistatpm.uol.com.br/revista/110/badulaque/campanha-namore-uma-mae-solteira.html

sábado, 4 de junho de 2011

E vem aí o Dia dos Namorados...


E vem aí o Dia dos Namorados. Quem tem namorado(a) se sente uma pessoa normal, que tem o que comemorar no dia. Quem não tem, fica pensando o que tem de errado para que o mundo inteiro esteja feliz com seu par, menos "eu". Pois é... Mas vamos pensar no que significa namorar para um casal que já esteve casado antes. Em primeiro lugar, a esperança. Agora sim, vamos viver alguma coisa boa. E, como é bom namorar... Sentir-se amado, querido. Alguém para contar, carinho, enfim, tudo aquilo que é gostoso no namoro. Dormir abraçado, companhia para os bons e maus momentos. Romance... Tudo o que todo mundo quer. Mas, vamos voltar ao nosso casal imaginário. Ela, dois filhos pequenos, ele duas adolescentes. Fim de semana. É necessário muito mais que romance para levar o namoro adiante. Ciúmes dos filhos, normal. Cansaço dos pais, nenhuma disposição para uma noite romântica depois que toda a prole dorme, normal. Ex-parceiros interferindo, normal. Então preparem-se: namorar depois de um divórcio não é mais aquele namoro de antes. Há muito mais coisas a lidar do que aquele romance... Porém, com tudo isso e um pouco de sabedoria, temos muito o que comemorar... Uma boa parceria. Um(a) companheiro(a) legal. Um namoro que tem muitos componentes, mas que depende de nós fazermos um bom tempero de todas os ingredientes. Leveza, humor e boa vontade, fazem uma mistura ótima para aqueles dias em que a cama está mais povoada do que gostaríamos ou que nossa festa acaba porque temos que buscar a filha do namorado na festa dela. Mas, continua valendo a comemoração de todos os que não desistem do amor, do carinho e da ideia de que uma parceria é valiosa na vida. Para aqueles que não tem esse ano um(a) namorado(a): vale olhar em volta ou para si mesmo e pensar o que temos para comemorar - boas amizades, paz, filhos, família, a vida, esperança, superação, enfim, cabe a nós descobrirmos o que temos para comemorar. Eu acredito que sempre podemos encontrar algo que merece comemoração em nossas vidas.

sábado, 28 de maio de 2011

A reorganização das famílias pós-divórcio: um olhar sobre o cotidiano.

Na próxima semana entrego meu projeto para a realização dos grupos com pessoas que passaram pelo divórcio para a banca do doutorado. A partir daí, começa o trabalho de campo, ou seja, o grupo propriamente dito. Vai ser muito bom estar com a mão na massa de novo! Para vocês terem uma pequena ideia do projeto, abaixo postei um pedacinho de um capítulo. Espero que gostem.
Bom fim de semana para todos!



A reorganização das famílias pós-divórcio: um olhar sobre o cotidiano.
O divórcio implica em uma reorganização da vida em todos os seus âmbitos. Desde os mais práticos até os mais simbólicos. A reorganização da vida doméstica, social, afetiva, sexual, parental, as relações com as famílias de origem, etc., indica que o divórcio não pode ser entendido como um episódio na vida pessoal ou mesmo familiar de alguém, mas como um processo que envolve uma rede de relações e afetos, além de novas organizações pragmáticas cotidianas.
A reorganização da família pós-divórcio é um processo que desalinha e embaralha a convivência habitual e esperada entre homens, mulheres, pais e filhos. As áreas ou temas que mais se destacam nas discussões, conflitos ou tensões após o divórcio tem sido a convivência entre pais e filhos, através das questões de guarda, visitação, responsabilidades e decisões e o dinheiro, seja relacionado aos filhos também, seja em relação à partilha de bens. Filhos e dinheiro são as áreas que continuam exigindo que o casal mantenha uma troca, uma relação quase cotidiana após a separação. Dependendo da idade dos filhos, da condição econômica da família, da forma como estava organizada a situação do casal enquanto casado, há diferentes necessidades e formas de organizar essas áreas e essa convivência pós-separação. Por outro lado, como são exatamente os vínculos que permanecem entre o ex-casal, muitas questões de outros aspectos da relação só encontram possibilidade de aparecerem direta ou indiretamente através desses temas. Assim, questões relativas à convivência entre pais e filhos podem sofrer mudanças significativas dependendo da presença de novos parceiros dos pais e acordos financeiros e partilhas podem ser afetados por desejos de indenização que são originados por outros temas da relação. Enfim, dinheiro e filhos são os cenários onde desembocam praticamente todas as outras questões da relação do casal. Também a reorganização da relação entre os pais e filhos, dependendo da idade deles é atravessada de formas diferentes por todas essas e outras questões, algumas já existentes durante o casamento.
Mesmo sendo cada vez mais comum, o grau de tensão e sofrimento envolvido não pode ser subestimado. Além disso, a separação nem sempre reduz o conflito conjugal, razão pela qual, em geral, acontece. Muitas vezes o conflito permanece ou mesmo recrudesce, reeditado nos embates sobre guarda, convivência entre pais e filhos, pensão e partilha de bens que tornam todos os membros do sistema familiar reféns crônicos de litígios intermináveis.

domingo, 8 de maio de 2011

Conciliando as novas formas com queridas tradições: quem se atreve?

As separações desalinham os formatos habituais de parentesco em nossa cultura. Pai, mãe, filhos já não estão sempre juntos. Madrastas, padrastos, irmãos de várias combinações de pais e mães, o fenômeno da multiplicação dos avós... São novas formas de conviver em família. O difícil para todos é quando tentamos enquadrar as novas formas dentro das antigas. Ou qualquer das nossas atitudes que não tenham a flexibilidade necessária para acompanhar e criar novas formas de convivência. Temos apego ao que conhecemos. Temos medo daquilo que nos é estranho. Rituais, datas comemorativas tem o sabor da tradição, da repetição daquilo que já sabemos e que nos dá segurança a cada passo. Porém, às vezes as tradições são subvertidas e temos novidades em nossa família. Novos apegos de nossos filhos, novas rotinas também. O fim de semana do pai cai no dia das mães... É tudo encaixadinho com o fim de semana dos filhos da nova mulher do pai, madrasta que, óbvio vai ficar com os filhos e adoraria ficar com os enteados. Afinal, ela também faz o papel de mãe. Enfim, apenas um pequeno exemplo de situação corriqueira, mas que nos exige flexibilidade. Podemos entrar no clima de disputa, ou quem sabe favorecer novas conversas e quem sabe criar realmente novas e surpreendentes formas de convivência. Quem se atreve?
Desejo que mães, pais, filhos, avós, madrastas, padrastos tenham tido hoje um bom dia. Um dia de reconhecimento de todo o valor que tem. Um dia de reconhecimento do quanto uma andorinha não faz verão e que para criar uma criança feliz, ou melhor famílias mais felizes, em conjunto, em rede, é muito melhor e mais fácil para todos.
Boa noite!

terça-feira, 3 de maio de 2011

A casa ninho. Nova proposta de guarda?

Recebi essa notícia. O link para a notícia original está abaixo. O que vocês acham???

Espanha: Juiz ordena que pais se revezem a cada três meses na casa da família.
Um juiz determinou que um casal divorciado e com dois filhos a se revezar no uso de sua casa da família em Sevilla a cada três meses . O juiz concedeu a custódia conjunta com a obrigação de viver de acordo com mudanças de casa, para priorizar os interesses das crianças. É a primeira sentença que impõe esta solução salomônica que envolve dificuldades práticas, entre outros, tem que ter três casas . A fórmula pode romper com as leis que regem a custódia em diferentes regiões. O que é surpreendente é que este modo de vida impostas aos ex-cônjuges sem acordo entre eles, o que alguns especialistas consideram que é muito controverso. Esta solução chamada "casa-ninho" implica em um nível salarial semelhante dos pais. A mãe se opôs à guarda conjunta, mas o juiz, após análise do Ministério Público e da equipe psicossocial, deu esta solução questionada por alguns por seus inconvenientes práticos e tensões familiares que pode gerar.
"Tanto o pai como a mãe têm recursos pessoais, familiares e comunidade para cobrir adequadamente as necessidades materiais e emocionais dos seus filhos", reflete o juiz de família governante Francisco Serrano, a Europa Press noticiou ontem. O juiz concordou que cada cônjuge pode cobrir os gastos com alimentos para seus filhos através de uma conta conjunta com 250 € por mês. Serrano afirma no comunicado: "Hoje não se pode concluir, a priori, que só as mães podem se preocupar com seus filhos e dispensar a eles os cuidados materiais e afetivos de que necessitam. Se faz necessário superar o preconceito de gênero, priorizando o interesse das crianças ".
as vozes que divergem da decisão do juiz, alegam que esse arranjo é uma fonte sem fim de conflitos na família e se inviabiliza caso algum dos ex-cônjuges venha a se casar de novo.Outros consideram que é uma forma de "tortura" que ao longo do tempo força os pais a tentarem entrar em um acordo para mudar a situação. Pode ser uma situação apenas transitória.

domingo, 1 de maio de 2011

A culpa é sua!

Vivemos em uma sociedade em que o binômio culpado/vítima tem sido muito valorizado. Parece que todos os problemas que aparecem em nossa vida cotidiana poderão desaparecer ou ter alívio se pudermos enquadrá-lo neste formato. Além disso, temos cada vez mais à nossa disposição dispositivos que nos auxiliam a punir o culpado e assim tentar reparar o dano que nos foi feito ou feito a alguém que nos é caro. A Justiça tem feito seu papel e, nas questões sociais e familiares nunca se viu tamanha explosão de possibilidades de reparar danos e punir. Abandono afetivo, alienação parental, bullying são vistos com o óculos do culpado/vítima. São medidos em termos de punição.

As leis de divórcio, desde os anos 70, pelo mundo todo vem possibilitando um formato conhecido por "consensual", ou "sem culpa". O que quer dizer isso? Que, você pode querer se separar de seu cônjuge, sem que para isso, como vigorava na maioria das legislações anteriores, tenha que declará-lo culpado de algum motivo previsto na lei (adultério, insanidade, abandono de lar, etc.) Para alguns autores, as leis de divórcio que permitem pedir uma separação com base no desejo dos dois cônjuges de não mais continuar com o casamento foi um dos principais motivos para o crescimento estrondoso das taxas de divórcio nas últimas décadas.
No entanto, o movimento recente chamado por alguns de "judiciarização a família", regula cada vez mais a vida familiar e a convivência cotidiana. Além disso, vemos que esses dispositivos que são produzidos para proteger pessoas que necessitam de proteção, acabam banalizados. Tal banalização, acaba por inutilizar a própria lei, já que ela vira um recurso de disputa e vingança mais do que algo que possa cuida e proteger, especialmente as crianças e adolescentes.
Uma coisa que chama a atenção é que em nenhuma dessas leis ou dispositivos legais para lidar com os conflitos familiares, existe qualquer recomendação, incentivo ou coisa que o valha, para o diálogo. Não há recursos em nenhuma dessas situações onde, antes da pessoas começarem a disputar legalmente quem está certo, quem é o culpado, elas possam conversar. O sofrimento, a mágoa, os equívocos de toda ordem são encaixados em quem paga e quem ganha. E, assim, as famílias continuam suas vidas. Para a Justiça, com a situação "resolvida". E, para eles....